21 setembro 2016

O vestido de noiva não precisa ser um drama pra nenhuma mulher ❤

21 setembro 2016
Depois de muito planejar e orçar, falta exatamente um ano para o meu casamento. Embora muita gente diga que não tem nada a ver comigo, a festa de casamento é tipo um sonho de criança. Vejo toda uma mística no vestido branco escondido a sete chaves do noivo, no bolo lindo na mesa, no brinde do casal com os padrinhos... Não sei explicar, mas é algo que eu sempre sonhei. Como ando muito empolgada com os preparativos, provavelmente falarei bastante deste tema por aqui no próximo ano, haha.

Hoje eu começo por aquele que é um bicho de sete cabeças para várias mulheres: o vestido. É certo que em toda banca de jornal, ou mesmo em uma rápida pesquisa no Google, achamos todas as tendências e/ou modelagens desejadas, mas... e quando não achamos o vestido que sonhamos fotografado em corpos que pelo menos lembrem o nosso?

"Eu vou me casar. Vou me casar usando pijamas" 

É com muita alegria que trago modelos de vestidos em vários estilos, alguns em tamanho plus size e outros grandes. São apenas referências para vocês se inspirarem e deixarem de lado a paranoia com o próprio corpo, afinal, uma festa de casamento já traz preocupações demais por si só.

1) Moderno

Sem medo de ser feliz, com uma modelagem mais justa na altura do tronco e a parte de baixo mais abertinha. Para dar um ar mais "tradicional", a blogueira Callie Thorpe usou um super véu!

2) Clássico

Justinho e com corte reto na altura dos seios e da cintura, com a saia em modelo evasê e provavelmente usando anáguas. Mudam os tecidos e as rendas, mudam as tendências para casamentos... mas esse modelo é sempre requisitado pelas noivas!

3) Retrô

Confesso que fiquei balançada por esse modelo (mas escolhi um outro nada a ver com esse, vai entender rs). Acinturado, com a manga ombro a ombro e saia midi. Parece super atual, mas as luvas e o voilette (esse acessório no cabelo) deram um ar mais antiguinho e romântico.

4) Princesa

Esse também é lindo, e nunca sai de moda. As noivas mais românticas sonham em casar usando um vestido com a área do colo e da cintura em renda, emendando numa super saia, naquele esquema "quanto mais volume, melhor". 


O que eu escolhi não tá por aqui (o boy também é leitor!), mas já tô procurando uma costureira que manje de (1) corpos gordos e (2) noivas, para colocar em prática o vestido dos meus sonhos!

12 setembro 2016

A crueldade com as crianças gordas vai nos custar caro

12 setembro 2016
Eu não fui uma criança gorda, e só me dei conta disso quando comecei a entender melhor a militância gorda. Eu era uma criança grande, é verdade, era mais alta que as outras, e, por ter menstruado aos nove anos meu corpo se transformou muito cedo. A cada visita na casa de parentes eu ouvia que estava "gordinha", num tom meio que de reprovação. Ficava triste e constrangida com aquilo, sem nem saber o significado direito, mas, pelo tom que esse tipo de comentário era feito, eu já sabia que não parecia algo bom.
Alguns anos se passaram, e agora não aturo comentários sobre meu corpo vindo de ninguém. Claro que existem maneiras para responder diversos tipos de pessoa - eu, por exemplo não respondo à minha vó do mesmo jeito que respondo a, sei lá, um tio distante -, mas é importante deixar claro que a maturidade me trouxe isso.

O que andam fazendo com as crianças em matérias jornalísticas e programas de TV em geral é de uma crueldade sem tamanho. Na nova temporada do programa 'Socorro, meu filho come mal!', do GNT, uma das personagens da nova temporada é Maria Clara, uma menina de nove anos que está "acima do peso", segundo Gabriela Kapim, a nutricionista. Eu vejo apenas uma menina maior - tanto na estatura, como no peso - que as outras crianças. No episódio em que Maria Clara era protagonista, Kapim viu que a menina tinha um alto consumo de alimentos industrializados e comia em grandes porções também. Acho curioso o fato do "comer demais" ser um problema apenas para a criança gorda, enquanto a questão das crianças magras é o fato delas não comerem o suficiente. Mas o que mais me chocou foi a mãe explicando a razão da inscrição da filha no programa. Na escola, Maria Clara escreveu uma cartinha para o menino que gostava, e foi ridicularizada, por ser feia, gorda e "ter o cabelo feio" - mostrando que crianças, além de reproduzirem misoginia e gordofobia, reproduzem racismo. A mãe chorava ao contar o episódio, mas infelizmente não se deu conta que a verdadeira culpada desta história tá longe de ser Maria Clara.
Enquanto isso, Kapim ressaltava as características intelectuais e artísticas da menina, mas a pentelhava pelas poucas aptidões físicas. O que Kapim não percebe é que a socialização de Maria Clara é prejudicada por crianças que segregam e que reproduzem a gordofobia que provavelmente rola em suas casas. Aliás, Kapim, focar no emagrecimento de Maria Clara para que ela adote uma alimentação mais saudável também é violento, viu?


Maria Clara, uma das personagens da nova temporada de 'Socorro, meu filho come mal'

Ontem, no Fantástico, um quadro falava de uma pesquisa feita sobre obesidade (odeio essa nomenclatura) entre adolescentes brasileiros. Pais preocupados com a quantidade de comida ingerida pelos filhos e pelo bullying sofrido por eles na escola, buscaram ajuda com especialistas. Pelos depoimentos, a inquietação dos pais era um misto de preocupação com a alimentação dos adolescentes, mas a gordofobia também estava entranhada ali. Para vocês terem uma ideia, uma mãe  trancou a filha no próprio quarto porque ela aprendeu a fazer leite condensado caseiro. Se isso não é violento e traumático para quem ainda está em formação de juízo de valores, eu não sei mais o que é. Para minha surpresa, todos os especialistas pediam aos pais que parassem de destacar emagrecimento no processo de reeducação alimentar, pois a cobrança pode acatar no efeito inverso e acabar por desenvolver ansiedade e até compulsão alimentar.


Outra criança também tendo sua alimentação controlada com foco no emagrecimento, em outra temporada do mesmo programa.

O fato é, patologizar uma característica física de uma criança e cobrá-la em excesso vai criar uma série de adultos infelizes e frustrados, além de gordofóbicos. Resta pensar se é esse tipo de sociedade que a gente quer para os nossos filhos, sobrinhos etc.



08 setembro 2016

Querida modelo Plus Size,

08 setembro 2016
O que eu vou escrever nesta carta nada mais é do que um compilado de coisas que eu li na internet nos últimos dois dias, com algumas observações minhas.

Lembra quando há uns 5 anos atrás você não conseguia se ver nas revistas ou nos catálogos de moda? Era um saco, né? Não ter um pingo de representatividade na mídia ou em qualquer outra esfera.
Em determinado momento, veio o boom da moda Plus Size no Brasil. Na verdade, começaram a dizer que você que veste acima do 44 (inclusive já vi gente falando em 42) tá na categoria Plus Size. As mulheres Plus Size viraram sinônimo de autoconfiança, sensualidade, beleza. As marcas, apostando em um nicho que estava sedento por um mínimo de representatividade, começaram recrutar moças como você para estamparem suas campanhas. Não traria grandes mudanças, já que essas lojas já vestiam vocês.

Com isso vieram os concursos de beleza. O empoderamento servindo ao capital. A exploração de mulheres que tinham a autoestima minada por essa sociedade misógina e gordofóbica. Todas podem ser misses, modelos, sexies, desde que assinem um cheque ou passem um cartão pra se inscrever no concurso. Empoderadas demais. "Quem disse que gordinha não pode ser sexy?", você e suas colegas colocam na legenda de fotos de lingerie. Mas a colega que faz um ensaio mais amador em busca desse mesmo empoderamento que vocês bradam é exposta e ridicularizada nas redes sociais. Honestamente, não consigo entender.


Foto: reprodução do Google

O tempo passou e você nem percebeu, mas se tornou... Banal. Ashua, C&A Special for you, T-Plus... Todas as lojas queriam mulheres como vocês. Claro que sempre rolava aquele retoque no Photoshop, afinal, empoderamento vende, mas só se a sua bunda estiver lisinha, né?
Entre uma campanha e outra, as mulheres gordas não se sentiam mais representadas por vocês. E como vocês fizeram há alguns anos atrás, adivinha? Começaram a questionar o sistema. De você e das suas colegas de trabalho poderiam ter vindo o apoio e a empatia, mas o máximo que consegui captar foi vocês falando em mimimi e vitimismo, o que fere ainda mais quem tá em busca pelo direito de ter o básico, como um bom atendimento médico, roupa pra vestir - e aqui não falo de roupa jovem, estilo x ou y, que tb deveriam oferecer, mas de qualquer roupa -, acessibilidade nos transportes,

Sabe, modelo, as demandas das mulheres gordas passam também pela representatividade, mas vão muito além dela. Quando você enche a boca pra defender uma campanha em que a loja te chama de gorda, eu prefiro achar que você não tá ligada nas discussões sobre gordofobia. Você quer ser gorda pra defender seu job de modelo. Enquanto isso tem gorda que tá buscando inserção no mercado de trabalho, em qualquer área. Você diz que tem IMC 28,4, e por isso é gorda, enquanto eu chego na ginecologista e ela me indica uma bariátrica e diz que eu não vou chegar até os 50 anos. Você fala que as marcas são maravilhosas e vestem todos os corpos, enquanto tem mulher que só veste "o que cabe". Não tem nenhuma gorda querendo "roubar o seu lugar" a ponto de você, que sempre se intitulou Plus Size - querer defender a todo custo que é gorda. A única coisa que eu e várias outras militantes gordas queremos, é que você tenha um pouco de noção.

Por último, cara modelo, eu quero que você volte a sua memória para aquele tempo de apagamento, e tenha empatia pelas mulheres gordas, pois fico muito feliz em te informar que não daremos nenhum passo atrás.
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